Série conta a história de Padre Léo e o processo de beatificação

No próximo dia 7 de março, será aberto o processo de beatificação do Padre Léo. Por isso, a partir desta segunda-feira, 2, você vai acompanhar uma série de reportagens sobre a vida do fundador da Comunidade Bethânia. Nesta primeira reportagem, o Canção Nova Notícias conta como nasceu e como será o processo que pode fazer de Padre Léo, o futuro beato do Brasil.

Reportagem de Elaine Santos e Messias Junqueira

 

“Eu vivia na rua, trabalhei numa boca de fumo como olheiro. Avistamos um cara parado na esquina perto de onde a gente estava. Olhando naquele momento parecia polícia. O cara conversava, gesticulava como se olhasse pra cima. Fui embora daquele lugar, porque era hora de eu entregar o meu serviço. Alguns minutos depois que eu entrei em casa , eu vi a confusão e acabou a polícia chegando lá e eles foram presos”. As lembranças que acompanham Jorge são do dia que mudou sua vida.

Jorge Nunes abandonou as drogas e teve sua

vida transformada /

Foto: Wesley Almeida

“Quando eu cheguei em Bethânia vi uma foto grande, imensa, que tinha lá no mural. Eu vi o rosto dele e na mesma hora a minha mente foi lá no cara que eu vi lá”, conta Jorge Luís Nunes Barbosa, auxiliar de estacionamento. O homem era Padre Léo, mas ele já havia falecido fazia sete anos. “Para mim, ele estava presente ali como se estivesse me alertando, falando ‘dá uma chance pra ele, segura a polícia ali’, sei lá…Porque os caras que foram presos naquele dia nunca mais foram vistos”.

Na Comunidade Bethânia, fundada pelo sacerdote, Jorge e a esposa iniciaram uma nova vida, depois de 20 anos mergulhados no mundo das drogas. “Padre Leo pra nós já é santo, já era santo”, afirma Jorge. Oficialmente, ainda não é, mas os rumores de santidade começaram já logo após a morte. Relatos de milagres nunca faltaram. “Chega muito pedido sobre a cura de câncer e de outras doenças também, da sexualidade e muito também  da cura interior”, informa Estevam Jardim, da Comunidade Bethânia.

Em 2017, o pedido para iniciar o processo de beatificação do sacerdote foi apresentado ao arcebispo de Florianópolis, Dom Wilson Tadeu Jönck. “Havia uma fama de santidade muito grande, um movimento intenso muito grande porque era uma pessoa bem conhecida e quando vem pedido com sinais muito fortes normalmente se atende”, revela o bispo.

A abertura de um processo de santidade se dá, normalmente, no local do falecimento do candidato. No caso de Padre Léo, não foi o que aconteceu. Ele morreu em São Paulo, mas a comunidade inicial que ele criou está em Santa Catarina, em São João Batista, bem como o seu corpo foi trasladado para lá. Com o pedido enviado para a Congregação para a Causa dos Santos, em Roma, foi preciso criar o Instituto Padre Léo e nomear um postulador da causa no Brasil.

Dom Wilsom Tadeu JÖnck em entrevista à equipe do CN Notícias sobre processo de beatificação do Padre Léo / Foto: Wesley Almeida

“O postulador é aquela pessoa escolhida pela comunidade, no caso pela Comunidade Bethânia, para tomar a linha de frente da causa de beatificação. Ele que vai reunir a documentação, vai atrás das pessoas, participa de cursos. Foram três anos reunindo a documentação”, explica o padre Lúcio Tardivo, da Comunidade Bethânia, e que é o postulador da causa de beatificação de padre Léo no Brasil.

Com a autorização do Vaticano – o “nada consta” – para que o processo fosse aberto, a data de abertura foi então anunciada em 8 de dezembro do ano passado no acampamento Hosana Brasil, da Comunidade Canção Nova. “7 de março de 2020, às 16h, estaremos celebrando, com a presidência do arcebispo de Florianópolis, Dom Wilson Tadeu Jönck, a abertura do processo de beatificação de padre Léo e a elevação dele a Servo de Deus para honra e alegria do coração de Jesus”, disse padre Vicente no dia.

Sobre o processo de beatificação

Uma vez aberto o processo, Padre Léo passa a ser Servo de Deus. “Em toda a causa, primeiro a pessoa se torna um Servo de Deus, para que as pessoas possam olhar para ele e perceber que ele serviu a Deus nessa terra, como alguém que fez a vontade de Deus”, detalha padre Lúcio.

“Assim que ele morreu e sobretudo os últimos anos da vida dele deixou as pessoas com uma convicção muito grande de que ele vivia uma santidade muito intensa”
Dom Wilson Tadeu Jönck 

O processo canônico é um longo caminho e pode demorar anos. A fase diocesana de investigação é sigilosa e após concluída vai para a Congregação para as Causas dos Santos. Inicia a chamada fase romana que analisará todo o material enviado para comprovar as virtudes heroicas, mas é o Papa que autoriza o título de venerável. Então é preciso comprovar um milagre para ser declarado beato. O próximo passo é comprovar outro milagre para se tonar santo, mas esse milagre, deve ocorrer após a beatificação.

“Assim que ele morreu e sobretudo os últimos anos da vida dele deixou as pessoas com uma convicção muito grande de que ele vivia uma santidade muito intensa”, afirma Dom Wilson.

Padre Léo era da Congregação do Sagrado Coração de Jesus. Foi o fundador da Comunidade Bethânia, entidade que acolhe dependentes químicos, pessoas à margem da sociedade, entre outros. Um comunicador do Evangelho com humor inigualável.

A vida do candidato a beato será analisada por um tribunal histórico-teológico, instaurado na missa de abertura do processo. O tribunal é composto pelo arcebispo, que é o responsável, por um canonista, os encarregados de fazer a pesquisa e o responsável de Roma que vai acompanhar todo o processo”.

A expectativa de quem conviveu com Padre Léo

Trata-se de um momento aguardado por todos que conviveram com Padre Léo. “Celebrar a abertura do processo de beatificação do Padre Léo é nós termos a certeza de que ele continua vivo”, afirma padre Lúcio. “Mais do que uma honra, é uma graça muito grande para nós, que convivemos com o Padre Léo, e para a Igreja”, diz a cofundadora da Comunidade Canção Nova, Luzia Santiago. “Por hoje a gente entender que santo não é aquele que nasceu santo, mas que busca ser santo”, complemente a irmã de Padre Léo, Célia Pereira.

Também é um momento muito aguardado por aqueles que de alguma forma foram tocados por ele. “Nós paramos de usar droga e a nossa vida mudou toda”, destaca Jorge. Sua esposa, Nilza da Costa Amaral, acrescenta: “Quando a gente foi para Bethânia, a gente traçou uma meta: vamos fazer o que tem que fazer, vamos obedecer. A gente foi batizado, crismado, a gente casou, batizou a neném”.

Jorge e a família reunidos: gratidão a Padre Léo / Foto; Wesley Almeida

A família reunida de novo é a certeza de que tudo foi por intercessão do sacerdote. “Padre Léo, muito obrigado”, diz a família em coro. Os rastros de Deus na terra são compreensíveis aos que acreditam. “Aqui dentro da nossa casa, na nossa vida, Padre Léo é um santo já”, finaliza Jorge.

Fonte:Site Canção Nova

Postagem:Pastoral da Comunicação Diocesana