Padre Donizete: a devoção a Nossa Senhora Aparecida o fez Santo

Sala de promessas da Basílica Nossa Senhora Aparecida
Neste sábado, 23/11, na celebração eucarística presidida pelo Cardeal Giovanni Angelo Becciu, Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, Padre Donizete se tornará Beato.
Padre Arnaldo Rodrigues – Cidade do Vaticano

Mais de 80 mil fiéis estão sendo esperados na Chácara do Padre, na cidade de Tambaú  (Diocese de São João da Boa Vista – SP), para a beatificação do Padre Donizete Tavares de Lima, que acontecerá neste sábado 23 de novembro.

Com um altar de 75 metros em formato de cruz, o Cardeal Giovanni Angelo Becciu, Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos e enviado do Papa Francisco, presidirá a Eucaristia que incluirá Padre Donizete no livro dos Santos.

O Cardeal Becciu deu uma entrevista a Roberta Barbi, onde ressaltou a  grande devoção de Padre Donizete a Nossa Senhora Aparecida.

Roberta Barbi – Hoje vamos ao Brasil para a beatificação do padre Donizetti Tavares de Lima. Os testemunhos falam da sua grande devoção a Nossa Senhora da Apareçida, que recomendava a todos que rezassem para que ela intercedesse junto do Senhor. Que dizer deste traço característico da fé do novo Beato?

Cardeal Becciu – Cuidado, Padre Donizetti é o primeiro nome, não o último nome! Porque ele é filho de músicos e seus outros irmãos se chamam Verdi, Rossini, Bellini, Mozart… Estava marcado pela devoção a Nossa Senhora Apareçida. Ele sentia-se quase como um instrumento de Nossa Senhora. Ele confessou isto: eu tinha a vocação graças à oração a Nossa Senhora, porque tive um encontro esclarecedor com o Bispo e, no entanto, foi precisamente aí que Nossa Senhora me ajudou a ver claramente qual devia ser a minha missão.

A graça de que este sacerdote tinha sido tocado também se manifestou com os poderes de quem operava milagres, e a notícia difundiu-se a tal ponto que na paróquia ocorreram peregrinações, às quais a certa altura foi o próprio Padre Donizete quem pôs fim. Por que?

Cardeal – Para a nossa mentalidade ocidental é algo estranho. Nos anos 54, 55, havia três milhões de pessoas que iam à sua paróquia e ele mesmo colocava o problema: estou fazendo bem ou as pessoas não entendem bem a minha condição de sacerdote? E escreveu ao bispo nestes termos: “Excelência, antes de ouvir dos outros, vim dizer-lhe que muitas pessoas vêm ter comigo porque se espalhou a notícia de que a minha bênção cura ou consola na dor. Rezo sempre a Nossa Senhora Apareçida. Estou consciente de que esta é uma missão que me confiou, para ajudar os necessitados. O que devo fazer?”. E o bispo deu uma resposta encorajadora e serena: “Querido Padre, continua a dar a tua bênção, aquela que é da Igreja. Não é um ato de magia, nem é uma invenção tua. Dispense as graças de Nossa Senhora. Vai tranquilo”.

O novo Beato exerceu o seu apostolado sobretudo entre os jovens que se ocupava com o estudo e a profissão, sem deixar de cuidar da vocação naqueles que encontrava…

Cardeal – Um verdadeiro sacerdote tem um coração aberto para com todos, especialmente os jovens. Ele também fundou a Congregação Mariana, para os meninos, e as Filhas de Maria, para as meninas. Ele trabalhou muito para a formação destes meninos e meninas, como também  para ajudá-los a inserir-se na vida. Encorajou os rapazes a estudar e depois introduziu-os nas profissões. Naquela época não era que a sociedade oferecia tanto; a Igreja sempre fez um ato de substituição na ausência de organização estatal, por isso criou escolas, momentos de encontro… E ele tinha uma bela personalidade, sua maneira de ser e suas belas qualidades como músico, como um homem comprometido com o trabalho social: tudo isso atraiu pessoas e, especialmente, jovens.

Sempre ao lado dos pobres e necessitados permanecem muitas das obras que o Padre Donizetti ajudou a fundar, como o hospício para os idosos de São Vicente de Paulo, a associação para a proteção da maternidade e infância e o clube dos operários para os empregados das fábricas. Todas as novas experiências para o Brasil nos anos 20 que lhe deram, no entanto, também alguns problemas com os poderosos…

Cardeal – Todas essas obras que ele construiu foram expressão de uma inspiração fervorosa, de uma inspiração que eventualmente vem do Espírito Santo, que não se deixa vencer na generosidade, na criação de idéias para poder encontrar os outros. Ficou muito impressionado com a Encíclica Rerum novarum de Leão XIII que, recordemos, foi a primeira Encíclica social de um Papa. Era uma Encíclica em que se procurava trazer à luz, resolver, inspirados pela doutrina social da Igreja, os problemas dos operários do tempo. Era uma encíclica revolucionária para aqueles tempos. É evidente que provoca descontentamento, conflitos e mesmo perseguições por parte daqueles que se veem ameaçados na sua vida quotidiana e tranquila, mas sobretudo ameaçados na preservação do poder econômico, muitas vezes construído com base na exploração dos trabalhadores.

Além desta herança “material” que enumeramos e que o novo Beato deixou, qual é a sua mensagem espiritual a ser conservada no coração dos fiéis?

Cardeal – Um sacerdote, se for sacerdote, será um sinal de contradição, como Jesus foi. Jesus disse: “Ai de vós, se as pessoas dizem sempre bem de vós, não sereis meus discípulos”. Se não provocarmos, se não criarmos esses momentos, mesmo de perseguição, de perseguição moral, de calúnia contra nós, vemos que não estivemos exatamente no caminho de Jesus Cristo.

Segundo Talita Schiavo, da Diocese de São Joao da Boa Vista, quem não puder ir ao local da celebração, poderá acompanhar pelas TV’s católicas.

Fonte:Vatican News

Postagem:PASCOM Diocesana