Comunidade Acolhedora

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“Não são as pessoas com saúde que precisam de médico, mas os doentes. Ide, pois,  aprender o que significa:”Misericórdia eu quero, não, sacrifícios. De fato, não é a Justos que vim chamar, mas  a pecadores”(Mt 9,12-13).

O modelo da comunidade em Jesus deve ser acolhedora. Jesus não excluía ninguém. Ele amparava principalmente aqueles que não tinham nem voz e nem vez, seja no sistema econômico, religioso ou social da época. Acolheu prostitutas e pecadores (Mt 21,31-32) pagãos e samaritanos (Lc 7,2-10) leprosos e possessos (Mt 8,2-4); mulheres, crianças e doentes(Mc 1,23).

Nossas comunidades, movimentos e pastorais precisam acolher a todos, principalmente os moralmente e socialmente excluídos, pois uma comunidade cristã deve ser em abundancia, plena em Jesus Cristo. Dessa forma, poderíamos afirmar com o Apóstolo Paulo: “Não há judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher, pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28). Nossas comunidades devem estar cheias desta graça.

Iluminado, o Papa Francisco nos diz: “Na Igreja, o Deus que encontramos não é um Juiz implacável, mas é como o Pai da parábola evangélica. Você pode ser como o filho que deixou a casa, que tocou o fundo do distanciamento de Deus.  Quando você tem a força de dizer: “Quero voltar pra casa”, você encontrará a porta aberta. Deus vem ao seu encontro por que o espera sempre” (catequese do Papa Francisco). Quando você  acolhe alguém, dando atenção, é o próprio Cristo que você acolhe. Uma música dos cantores de Deus, chamada “me leva pra casa”, é uma lição de vida  para todos nós lideres de comunidades. Ouça e  reflita.

A Comunidade da Catedral, por meio de alguns membros, começou um trabalho de visitas e solidariedade à comunidade da Pedreira, por ser um lugar desprovido das necessidades  básicas para uma vida  saudável e digna de cidadãos e filhos de Deus.  Início de amizades com conversas, orações, cantos, missas. Tudo era celebrado num lugar pequeno, cedido pelo morador, mas com uma humildade muito grande de coração daquelas pessoas que ali participavam. Junto a isso, somou-se o Natal, quando foi feita uma refeição na cozinha da Catedral e um grupo de cinco pessoas organizaram  marmitas saborosas com arroz, feijão, frango assado, macarrão e outras  coisas, oferecidas com esta finalidade. Depois de um levantamento do número de pessoas ali  residentes, as marmitas foram organizadas e  entregues  a cada  família. Todos comeram e ainda houve sobras. 

No ano seguinte, levantou-se o número de crianças e,  na árvore de natal, montada na Catedral, foram colocadas as fotos das crianças. O  objetivo era que, como gesto concreto,  quem  quisesse assumisse uma criança para dar um presente de Natal. Foi o maior sucesso. O que esperávamos para as quatro missas do  final de semana, somente no sábado  já  se esgotou e todas as crianças já tinham benfeitores. Os doadores ofereceram roupas, sapatos, brinquedos. Quanta alegria  estampada no rosto  daquelas pessoas, doadores e presenteados. Pensem num Natal abençoado. E, como no ano  anterior, ganhamos muitos  produtos para realizar novamente o  Natal  naquela comunidade. Assim, o Menino Jesus foi nascendo na vida  de muitas pessoas de lá e de cá. Depois, nos anos seguintes, outras iniciativas marcaram a ação do grupo que realmente abraçou o compromisso de forma  ativa.

No começo muitos diziam: Padre, lá é perigoso, lá não tem nada… Realmente, a bondade conquista e enche corações e mentes. E aquelas pessoas que se dispuseram, de alma desarmada, sem esperar retorno, elogios ou recompensa, plantaram uma  semente do  Reino que  jamais  será  esquecida por ambas  as partes. E, a partir desta experiência, o “Projeto Social Mateus 25, é meu irmão, é minha irmã” foi tomando forma em outras  ações, como: campanha do lacre, cadeiras de banho, cadeiras de rodas, muletas, utensílios domésticos, geladeira solidária, jantar fraterno, aniversário solidário, e tantas outras iniciativas

 A iniciativa de pessoas corajosas muda muitos corações. Uma jovem que doava a cesta básica que ganhava na empresa onde trabalha fez que se abrisse  um caminho que hoje,  embora de pedra, estreito e cheio de buracos, ficasse tão familiar. O mais  emocionante é ouvir o  grito das crianças ou dos adultos dizerem assim: “é o  homi lá da Igreja”. Bem disse o Papa Francisco: “sentir o cheiro das ovelhas, deixar-se tocar por elas, tocar o pobre é tocar a carne de Jesus”.

E, juntando-se a todos estes fatos: foram  renovadas algumas  moradias com doações  de pessoas e o serviço  voluntário. Nestes  fatos nasceu realmente Deus. O  verdadeiro  Natal  aconteceu. Os pastores  estão ali  cuidando do Menino Jesus revelado nos idosos, enfermos, crianças,  jovens e adultos.

E assim está por começar a Casa de Apoio que, aos poucos, vai se tornando realidade e  será  fruto de uma caminhada madura e consciente.

Eu, Pe. Delcino Rafael de Carvalho, parabenizo o pessoal que mantém  firme, desde  o inicio, este maravilho projeto e todos  aqueles  que  colaboram com este trabalho. Certa vez um menino carregava, em suas costas, um outro menino; e uma pessoa, vendo aquilo, perguntou para o mais velho: ele está pesado? O menino que carregava disse: não, é meu irmão. Assim é o trabalho e a caminhada do Projeto Social Mateus 25,- é meu irmão, é minha irmã!

Ai vão algumas fotos dos trabalhos realizados………

 

PUBLICAÇÃO:ROSANGELA DA GRAÇA MARTINSKI/PASCOM DIOCESANA

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